Fire!

Coloquei esse título por dois motivos bem simples:

1. Surpreendentemente, ele tem a ver com o post.

2. Para que vocês ficassem curiosos e não se dessem conta, pelo menos a priori, de que se tratava de outro post sobre as peripécias do sistema público de transporte de São Paulo para com seus usuários.

Desta vez é a CPTM que decidiu levar a exigência com conhecimentos da lingua inglesa a um novo patamar: quem não conhece inglês não apaga incêndio. Simple like that.

Um dos muitos alarmes de incêndio espalhados pelas estações da CPTM

Um dos muitos alarmes de incêndio espalhados pelas estações da CPTM

Esse é um dos muitos dispositivos para acionar o alarme de incêndio espalhados pelas estações da CPTM. Esse, em particular, é da estação Vila Olímpia.

O funcionamento é, aparentemente, bem simples e razoavelmente intuitivo (como não poderia deixar de ser para um aparelho a ser utilizado em emergências e situações de stress): você deve empurrar/quebrar o vidro para apertar o botão do alarme. Há até uma instrução bastante objetiva indicando a ação.

O que não há é a preocupação em falar claramente do primeiro e indispensável passo para acionar o alarme: levantar a tampa de plástico duro que protege o vidro. ESSA instrução, por sua vez, está em preto, com pouco destaque em relação ao fundo vermelho, fora da área central e…em inglês, por algum motivo que se perdeu em meio aos processos de importação, montagem e instalação dos alarmes (que, obviamente, não foram fabricados aqui).

Alarme de incêndio com a tampa e as instruções, em inglês, para que a mesma seja levantada

A frase, em inglês, diz "Lift cover before breaking glass" (Levante a tampa antes de quebrar o vidro).

Só ao ler a frase “Lift cover before breaking glass” (Levante a tampa antes de quebrar o vidro) ou levantar a tampa é que você se dá conta de que o “vidro” a que se refere a instrução em branco não é aquele que recobre todo o aparelho, mas sim o vidro circular no centro dele.

Tá, tudo bem, tudo bem. Exagerei quanto à impossibilidade de acionar o alarme caso o usuário não leia Shakespeare no original. Apesar de instruções em inglês prejudicarem a usabilidade e acessibilidade do aparelho, na primeira porrada no alarme o cidadão bem intencionado vai perceber que existe uma tampa e que a mesma deve ser levantada. Entretanto, o fato de que é fácil para o usuário perceber/corrigir um problema não é motivo para ignorá-lo ou não fazer de tudo para prevení-lo.

Levando-se em conta, ainda, as situações de stress para as quais o aparelho foi desenvolvido, a chance de que o usuário lance sobre ele um olhar calmo e analítico quando finalmente tiver de utilizá-lo são mínimas.

Possíveis soluções:

1. Incluir ambas as instruções, EM PORTUGUÊS, cada uma em seu respectivo suporte e com bastante destaque em relação ao fundo;

2. Eliminar o primeiro passo. A tampa de plástico parece ter, por objetivo, evitar o acionamento incorreto do alarme de incêndio por quaisquer razões. Sendo o alarme posicionado na parede, a uma altura relativamente alta e fora das principais rotas dos passageiros (de acordo com os poucos que vi), um acionamento acidental parece pouco provável. E, convenhamos, em caso de vandalismo, uma tampinha de plástico pouco pode fazer.

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